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Proximity (2020) | Crítica

Hoje vamos falar sobre um filme que promete abordar a fundo o tema de abduções, desaparecimentos, avistamentos e aparições de naves espaciai...



Hoje vamos falar sobre um filme que promete abordar a fundo o tema de abduções, desaparecimentos, avistamentos e aparições de naves espaciais e tudo mais.

Em Proximity, um jovem é abduzido por alienígenas, mas quando ele revela ao mundo o que aconteceu, ninguém acredita. Então começa uma grande tentativa de provar que ele está falando a verdade. Será que ele vai conseguir?

O filme começa muito bem. As primeiras cenas têm uma trilha sonora bem característica de filmes dos anos 80, temos o clássico disco voador redondo e giratório, que é um grande fã service para aqueles já tem mais de 25 anos e que são ligados em óvnis, naves espaciais e abduções e que já viram milhões de filmes do gênero. Nesses primeiros minutos, esses elementos e a forma como são apresentados fazem com que o telespectador se empolgue bastante com o ambiente de mistério e ação. Porém, depois da primeira meia hora, mais ou menos, a coisa já começa a complicar.

O primeiro erro é apressar demais as coisas. O rapaz que foi abduzido sobe um vídeo na internet e em questão de horas o vídeo já teve quase 1 milhão de visualizações e de repetente várias emissoras começam a ligar para ele, e daqui a pouco ele já está famoso, dando entrevista na TV, tudo isso em questão de um dia. A gente sabe que não é bem assim que acontece, não é? Um vídeo leva algum tempo para viralizar, mas aqui acontece num estalar de dedos.

Outro erro é a mudança constante do tom do filme. A história começa com foco em um adolescente tentando provar ao mundo que realmente viu aliens e que eles existem de verdade. Do nada, isso tudo é abandonado e vira uma perseguição a adolescentes e aliens, claramente inspirada em Homens de Preto. Tem até as arminhas de laser. A virada de mindset é tão perceptível que você leva até um susto em determinada cena. Tudo está tranquilo e de repente, tudo se transforma numa loucura bem digna de sessão da tarde. Em alguns momentos o filme me lembrou muito Earth to Echo, de 2014, e Montanha Enfeitiçada, de 2009.

Eu diria que há pelo menos 3 filmes em 1 aqui. Parte do primeiro ato, que tenta ser um bom filme de alien, o segundo ato que vira Sessão da Tarde, e o ato final, que tentaram forçar um romance onde não era muito apropriado. Parece que virou uma fórmula, todo filme tem que ter alguém se apaixonando por alguém.

Outro ponto bastante incômodo é a facilidade como as coisas se resolvem e as forçadas que o roteiro dá para que o filme tenha o que contar. O cara está preso a uma cadeira e do nada ele consegue se soltar, como se fosse fácil. Outra cena dele tentando abrir a porta com o poder da mente, que adquiriu com os aliens, é tosca. Nem se deram ao trabalho de mostrar de perto a porta abrindo, se movendo sozinha ou algo do tipo. A câmera simplesmente fica longe e a porta abre. Outro detalhe é que eles estão em um país subdesenvolvido, numa área notadamente com pouquíssimo desenvolvimento, mas tem um hacker com um computador com conexão via satélite, anti rastreável e internet de alta qualidade, que às vezes nem as cidades mais desenvolvidas possuem.

A direção é de Eric Demesy, especialista em efeitos visuais, já tendo trabalhado em produções bem conhecidas, como Tron: Legacy, Stranger Things e Game of Thrones. E provavelmente daí que vem um dos poucos pontos positivos do filme: o CGI. Os efeitos visuais são bem construídos para um filme com orçamento relativamente baixo. Claro que não podemos comparar com um Vingadores da vida, mas... é um bom CGI. Pelo menos eu não vi sinais de tosquisse. Já em outros aspectos, a direção é bem comum, nada de especial, nada de inovador. A fotografia é boa, na maior parte do tempo buscando o estilo vintage. O roteiro, que também é do diretor, como vocês já puderam perceber, é bem indeciso e superficial. No final o roteiro até insere religião no meio da história, uma coisa totalmente inapropriada quando estamos falando de aliens. Algumas pessoas podem não gostar da junção das ideias de outros seres e mundos e religião, então é sempre bom evitar.

Como já dito, no terceiro ato há uma queda muito grande de ritmo, onde o filme tenta forçar um romance, que não é muito merecido, já que os personagens nunca tiveram tanta proximidade nem afeto.

Ryan Masson está muito bem como Isaac, o protagonista. Ele consegue passar as emoções de uma pessoa tímida, que está sendo desacreditada por todos. Don Scribner, o Carl, também está muito bem no papel de pessoa isolada e problemática, que duvida de todo mundo. A Highdee Kuan não tem carisma, e atuação foi bem mediana. Christian Prentice está muito bem como Zed, o hacker que ajuda a dupla de adolescentes. Ele é o alívio cômico do filme, mas nada que impressione ou te faça dar gargalhadas até a barriga doer. No geral, Proximity é superficial e indeciso, não sabe qual caminho quer seguir, mas tem um bom visual. Se você é fã de filmes estilo Sessão da Tarde, talvez seja um bom passatempo de quase duas horas, que poderia ser uma hora e meia facilmente. Nota 4,5.


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