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Crítica - Becky (2020)

Preparem-se para muito sangue, assassinatos cruéis e cenas violentas com crianças, que raramente são vistas no cinema. Hoje vamos falar so...


Preparem-se para muito sangue, assassinatos cruéis e cenas violentas com crianças, que raramente são vistas no cinema. Hoje vamos falar sobre Becky, que conta história de uma garota de 13 anos que acabou de perder a mãe e se tornou muito rebelde, o que a levou a ter um relacionamento conturbado com seu pai. Para tentar se reaproximar, ele leva a filha para passar um tempo numa casa do interior, mas tudo muda quando criminosos recém foragidos invadem a casa, e então a garota precisará sobreviver e salvar sua família.

Pela sinopse, já é perceptível que a história não tem nada de inovador, mas se não engane pensando que história clichês não podem ser divertidas. O roteiro não se importa em explicar muito as coisas nem em desenvolver personagens. Tirando alguns poucos flashbacks de Becky, a relação dela com a mãe não é muito bem apresentada. O roteiro não se importa em desenvolver essa relação, assim como a reviravolta para que Becky se tornasse a adolescente rebelde. Ela simplesmente é uma personagem pronta, e é nisso que o filme foca: na rebeldia. Os primeiros 20 minutos focam na rebeldia de Becky. Conseguimos deduzir as motivações para a rebeldia, mas não conseguimos fazer o mesmo com as motivações dos vilões, apesar deles tentarem explicar em alguns momentos, mas fica tudo muito raso. E este é um dos maiores problemas do roteiro: as motivações e os personagens são muito rasos. Talvez a Becky seja a personagem que você ainda consegue se importar um pouco, mas mesmo assim, em uma dose de média a pequena, e isso só é possível porque o filme a coloca numa posição de super garota, que sozinha consegue derrotar vilões. Ela é quase uma super-heroína. Enquanto isso, todo o resto do elenco não nos desperta sentimentos.

Apesar da história um tanto clichê, os diretores Jonathan Milott e Cary Murnion soube inserir elementos para que a tornasse divertida. Desde o início já sabemos o que acontecerá ao longo do filme, mas a intensidade das cenas nos prendem. Apesar de Becky ser uma criança, ela proporciona assassinatos bem violentos e cenas bem gores. É raro vermos crianças se envolvendo em cenas violentas e ainda mais sendo a protagonista, o personagem que mata a sangue frio seus inimigos. E nisso o filme não economizou. As cenas de Becky matando bandidos, um a um, são repletas de sangue, mortes cruéis, e impressionam. Inclusive, tem algumas que vão chocar algumas pessoas mais sensíveis.

Falando um pouco mais de motivações, o filme não deixa claro o propósito dos vilões, pois ao invadir a casa de Becky e sua família, eles dizem estar atrás de um objeto, mas não fica claro para que serve. Talvez o roteiro pudesse ter feito um melhor uso disso, pois fica nítido que o objeto só serve para dar suporte a alguns acontecimentos. Essa técnica é chamada de McGuffin, quando o roteiro faz uso de personagens que estão em busca de um objetivo ou um objeto específico, mas aqui isso é feito de maneira bem rasa.

Algumas cenas de conversa entre Becky e o vilão principal tem montagens de câmera que funcionam muito bem, enfatizando o confronto dos dois, tanto nas palavras como nas ideias, e dá uma sensação de que os dois estão frente a frente, mesmo estando relativamente longe.

Uma das maiores surpresas do elenco é a presença de Kevin James, fazendo aqui um papel de vilão, bem diferente dos papéis habituais de comédia ao lado de Adam Sandler. Melhor que ele, só Lulu Wilson, que interpreta a Becky. Parece que ela ama fazer filmes de terror e do mal, pois participou de Livrai-nos do Mal (2014), Ouija – Origem do Mal (2016), Anabelle 2 – A Criação do Mal (2017), então ela tem muita afinidade para atuar em filmes que tem violência e sangue. Sua interpretação aqui é muito verídica, passando não somente a imagem de uma garota rebelde, mas psicopata. O olhar deixa bem claro o sentimento de ódio e de satisfação após matar cada vilão. Joel McHale tem uma atuação bem razoável, nada demais.

No geral, Becky é um filme com uma história rasa, mas que impressiona nas cenas de violência e sangue, principalmente pelo uso de uma criança como centro disso tudo e nos aspetos técnicos usados para unir os elementos. É muito divertido e ao mesmo tempo chocante ver uma criança como protagonistas de cenas tão fortes. É um passatempo para os telespectadores menos exigentes, que se contentam somente com violência gratuita e explícita sem ter uma história bem construída por trás disso. Nota 6,2.

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