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Crítica: Only The Brave (2017)

Este é um filme onde você pode pensar que é do tipo que tem uma pequena história e muitos efeitos especiais, quando na verdade é o co...


Este é um filme onde você pode pensar que é do tipo que tem uma pequena história e muitos efeitos especiais, quando na verdade é o contrário. Baseado em fatos reais, a equipe secundária de bombeiros de Granite Mountain consegue se tornar hotshots. Hotshots são as equipes que combatem o fogo diretamente e as secundárias são aquelas que dão apenas o suporte, e claro, são vistas com menor importância.
A cena inicial de Only the Brave nos faz lembrar um pouco da cena inicial de A Forma da Água (2018), pois nos submete a uma imersão, mesmo que rápido, no ambiente que o filme irá explorar. A diferença aqui é que A Forma da Água tem como referência um mundo subaquático e aqui um mundo de fogo. Além da bela abertura, a direção de Joseph Kosinski se sai bem aqui, apesar de até só ter feito trabalhos medianos, como Tron: Legacy (2010) e Oblivion (2013). Aqui o diretor conseguiu construir com eficiência um ambiente de amizade, eu diria até de família, entre os bombeiros. A todo momento os amigos trocam piadas, até mesmo se insultam, porém sempre com bom humor, o que contribuiu bastante para passar a ideia de companheirismo ao público.
         O roteiro foca basicamente em dois personagens: o Eric Marsh, vivido pelo Josh Brolin e o Brendan McDonough, vivido pelo Miles Teller. Nesse ponto o roteiro acerta, pois não se poderia desenvolver um arco para cada personagem, pois tornaria a história e cansativa. Se focando em 2 personagens, o filme já ficou com suas 2 horas de duração, imagine com uma história para cada bombeiro. Enquanto Eric Marsh é o comandante dos bombeiros, Brendan é apenas um novato, com problemas com drogas, e ainda uma filha recém nascida, que provoca nele o desejo de dar um jeito na sua vida e ser um pai presente e melhor. Tanto Josh como Miles estão muito bem em seus papéis, pois conseguem transmitir seus anseios e frustrações tanto pessoais como profissionais. Um bom plot twist apresentado aqui é como Brendan e Christopher, vivido pelo Taylor Kitsch, conseguem passar de uma antipatia gratuita à uma bela amizade.
O filme ainda consegue apresentar os vários dilemas que a profissão exige. Além do perigo físico, que seria o fogo, ainda existe o fator família, pois os bombeiros precisam a todo o momento se ausentar, deixando suas mulheres e filhos por horas ou até dias. No elenco ainda temos nomes como Jeff Bridges, Jennifer Connelly e James Badge Dale.
         O papel da Jennifer Connelly, como esposa de Eric Marsh é um tanto desnecessário, já que o personagem já renderia uma boa história somente com o fato de passar boa parte do filme tentando uma avaliação de sua equipe para que fossem promovidos a hotshots. A questão familiar também é apresentada pelo personagem Brendan, e ficaria melhor se fosse apresentado somente por ele e não tentasse dividir a temática com o Marsh.
Jeff Bridges está muito genérico aqui, já vimos esse tipo de personagem umas 1000 vezes por aí nos filmes da vida, além de suas aparições serem muito rápidas, sem muito tempo de tela, impossibilitando uma maior atuação.
A fotografia aqui é um fator importante, pois nos passa a sensação de estar diante do fogo, e correr aqui não é uma opção. Temos tomadas aéreas onde a câmera vai de uma paisagem intacta até a devastação cujo fogo está por causar mais e mais. Em alguns momentos também somos colocados dentro do incêndio, nos dando a sensação de claustrofobia, calor e medo, o que é feito de maneira quase perfeita.
Definitivamente, o filme tenta nos alertar a todo momento de que a natureza pode ser amiga, mas também pode ser devastadora. A trilha sonora aqui é praticamente imperceptível, pois não causa impacto em cena alguma. O que nos prende ao filme mesmo é o visual.
Only the Brave é um filme comovente. O ato final nos faz sentir a dor das famílias, e refletir sobre essa profissão que ao mesmo é perigosa e digna de serem tratados como heróis, pois o ato de a cada dia defender pessoas com suas próprias vidas é um dos maiores heroísmos que alguém pode fazer.
Na tela final são apresentados os atores e os respectivos heróis da vida real, que faleceram no incêndio de 2013. Nesse ponto, a comoção que o filme consegue causar já é suficiente para não sairmos do cinema ou desligar o vídeo antes de vermos cada um deles.
Only the Brave é um filme que infelizmente não pôde dar atenção a todos os 20 bombeiros, mas que cumpre seu papel de evidenciar os perigos e a importância desse tipo de trabalho, além de ser uma bela homenagem às famílias dos bombeiros da vida real. Nota 8,5.

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